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A lancheira das crianças pode ser um ticket para doenças crônicas

calendar Publicação: 25/08/2021 - Última atualização: 25/08/2021
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Fernanda Mayane
Fernanda Mayane

Redatora

O mito das vitaminas em alimentos infantis ultraprocessados; especialista  explica as porções adequadas para o desenvolvimento dos pequenos

Com a volta às aulas presenciais, selecionar embalagens de alimentos para colocar na lancheira por personagens ou por exibir uma aparência mais amigável para os pequenos acaba sendo comum na rotina de quem tem filhos em casa. Alguns deles até prometem fontes de cálcio e outros nutrientes em sua composição, repassando uma “falsa“ mensagem do que é saudável de fato.

Mesmo com a aparência inofensiva, esses alimentos podem ser a porta de entrada para a obesidade infantil e doenças crônicas no futuro

Um estudo inédito de 2021 organizado por pesquisadores do Nupens (Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde) da USP em parceria com o Imperial College London, do Reino Unido, avaliou o consumo de ultraprocessados por 9.025 crianças britânicas a partir dos 7 anos até que elas completassem 24 anos.

Durante o estudo, a alimentação dos participantes foi registrada todos os dias em um caderno e, de três em três anos, mediam-se suas circunferências e eram feitas novas avaliações. As anotações eram registradas pela NOVA, classificação que descreve os alimentos pelo nível de processamento que eles possuem, dividindo-os em três grupos: in natura, processados e ultraprocessados.

No fim da pesquisa — quando os participantes completaram 24 anos — eles foram separados em cinco grupos de menor para maior consumo de ultraprocessados. Os resultados mostraram que os adultos que consumiram mais ultraprocessados durante a infância tinham circunferências superiores ao grupo que consumiu menos. 

Seus resultados apontaram o início de doenças crônicas como diabetes, colesterol alto e hipertensão.

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Aprenda a ler rótulos

Na maioria das vezes e na correria do dia a dia, os rótulos acabam passando despercebidos, mas é primordial adicionar como hábito a leitura das informações nutricionais dos alimentos, pois boa parte deles prometem benefícios que não constam no verso de suas embalagens ou, quando constam, possuem quantidades um tanto insignificantes.

Para explicar melhor essas doses diárias recomendadas, o infovital consultou o farmacêutico integrativo Fernando Scremin.

“Para ler o rótulo de alimentos, é necessário se atentar ao percentual que normalmente está na terceira coluna da tabela. Nela, está apontada a porcentagem de dosagem adequada daquela vitamina, sendo 100% a ideal. Podemos perceber que, nas embalagens que avaliamos, apenas um nutriente de um dos alimentos atinge a dosagem recomendada, mas mesmo assim possui 12g de açúcar, uma quantidade absurda para uma criança ingerir”, explica o farmacêutico.

Ele se refere à terceira imagem a seguir, do suco de laranja. Veja as imagens avaliadas pelo farmacêutico:

Promete fonte de vitaminas

Promete vitaminas A,C,D e E

Promete DHA (ácido graxo ômega 3) e zero adição de açúcares.

Promete vitaminas A, B1, B2, B3 e B6

Mais criatividade: a melhor dieta infantil 

A introdução a uma alimentação saudável na infância é tão importante que pode mudar a microbiota intestinal (ou flora intestinal) de um indivíduo para o resto de sua vida, podendo impulsionar a imunidade. 

Uma análise realizada pela University of North Carolina em 2020 aponta que a obesidade infantil é um fator de risco para vários tipos de câncer, entre outras doenças crônicas. Para evitá-las, é necessário balancear a alimentação desde pequeno.

A dieta infantil não foge muito dos nutrientes que são necessários na dieta de um adulto. Ela também inclui vitaminas, minerais, proteínas e gorduras, mas em quantidades diferentes. O infovital falou com  a nutricionista integrativa infantil Ingrecht Granja e ela sugeriu uma lista  alimentos  que podem ser colocados na lancheira das crianças:

  • Frutas fáceis de transportar e que não estragam ou amassam com facilidade, como maçã, pera e banana;
  • Pão integral ou torradas (feito em casa e de preferência com farinha de oleaginosas) com 1 fatia de queijo não processado, 1 colher (das de café) de geleia sem açúcar, 1 colher de chá de manteiga ou 1 ovo cozido ou 6 ovos de codorna;
  • Leite A2A2 com chocolate 100%, iogurte líquido ou iogurte sólido para comer com colher;
  • Frutos secos e oleaginosas separados em pequenas porções, como uva passa, nozes, amêndoas, avelãs ou castanha-do-pará;

A dica de ouro da nutricionista é apostar na criatividade. Ela lembra que o lanche saudável também pode ser divertido e saboroso, além de rico em nutrientes para a saúde plena dos pequenos.

Referências

  • Chang K, Khandpur N, Neri D, et al. Association Between Childhood Consumption of Ultraprocessed Food and Adiposity Trajectories in the Avon Longitudinal Study of Parents and Children Birth Cohort. JAMA Pediatr. Published online June 14, 2021. doi:10.1001/jamapediatrics.2021.1573

M. Damone, Allison M. Deal, Lisa A. Carey, Michael Lorentsen, Shlomit S. Shachar, Grant W. Williams, Addison (Tucker) Brenizer, Amy Wheless, and Hyman B. Muss. Cancer; Published Online: December 7, 2020, DOI: 10.1002/cncr.33288

Fernanda Mayane
Fernanda Mayane

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