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Como o jejum intermitente pode te salvar de doenças do coração

calendar Publicação: 07/01/2022 - Última atualização: 22/02/2022
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Ana Araujo
Ana Araujo

Editora

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Estudo mostra que o jejum intermitente age em diversas frentes para prevenir doenças do coração, como infarto. Entenda e saiba como fazer

Uma hora você está aqui e, na outra, não está. Este é um dos medos de quem sofre de doenças do coração — imagine infartar de repente, ou ter um episódio cardiovascular que traz consequências para sempre. 

Agora, imagine que uma prática milenar pode reduzir consistentemente o risco disso acontecer. Estamos falando do jejum intermitente. 

Ele já vem sendo adotado por motivos religiosos há séculos — com casos relatados em livros sagrados, como a Bíblia — e, de tempos para cá, a ciência vem descobrindo sua utilidade para viver mais e melhor. 

Qual é o papel do jejum intermitente para prevenir doenças do coração?

Primeiramente, é preciso derrubar o mito que essa prática não consiste em passar fome ou ficar dias sem comer: como a palavra “intermitente” indica, os períodos em jejum variam. Por exemplo, há quem apenas pule o café da manhã, enquanto outras pessoas conseguem estender a janela sem alimentos.

O período sem comer funciona como um respiro para o corpo — é nele que a mágica acontece. 

Entre os estudos que mostram o poder do jejum intermitente está um publicado no periódico Cell Metabolism. Nele, pesquisadores descobriram que o hábito revolucionou a saúde de pessoas com síndrome metabólica.

A síndrome metabólica nada mais é do que o grupo de sintomas e fatores de risco que, juntos, colocam o risco de doenças cardíacas nas alturas. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), ela acontece quando há pelo menos três destas cinco manifestações:

  • Obesidade central (circunferência da cintura superior a 88 cm na mulher e 102 cm no homem);
  • pressão alta (pressão arterial sistólica ³ 130 e/ou pressão arterial diastólica ³ 85 mmHg);
  • Glicemia alterada (110 mg/dl ou mais) ou diagnóstico de diabetes;
  • triglicerídeos acima de 150 mg/dl;
  • colesterol HDL acima de 40 mg/dl em homens e 50 mg/dl em mulheres.

Voltando ao estudo, descobriu-se que as participantes que comeram por apenas 10 horas em um dia — ficando as outras 14 em jejum — diminuíram a pressão arterial, melhoraram o perfil de colesterol e tiveram menos picos de açúcar no sangue.

Prato com duas torradas e ovos fritos em forma de coração por cima
Jejum intermitente ajuda a diminuir diversos fatores para doenças do coração, incluindo pressão alta e picos de açúcar no sangue, segundo estudo

Controlar estes fatores é muito importante para diminuir o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC. Por exemplo, quando a glicemia está fora do controle, o sangue é “caramelizado” em um processo chamado de glicação. 

Aqui, em vez de transportar oxigênio, a hemoglobina acaba se associando ao açúcar que está excedente na corrente sanguínea. 

Esse combo nada desejável resulta em veias se estreitando e endurecendo, não apenas dificultando a passagem do sangue, mas fazendo o coração trabalhar muito mais do que deveria.

Os pesquisadores também concluíram que o jejum intermitente diminui a inflamação crônica, que é uma das causas das doenças do coração, pois pode danificar os vasos sanguíneos e aumentar o risco de ataques cardíacos e derrames.

Um estudo do Center for Molecular Imaging Research descobriu que a inflamação crônica leva ao acúmulo de cálcio nas artérias, tornando-as menos flexíveis e, consequentemente, menos eficientes.

Veja quantos fatores de risco para doenças do coração o jejum intermitente combate. Mas será que, para fazer jejum intermitente, basta parar de comer?

Como fazer jejum intermitente?

Pular o café da manhã é uma das maneiras mais fáceis de fazer jejum intermitente. No entanto, se adotada sozinha, essa atitude pode resultar em fome e, dependendo de como o corpo reagir, certo mal estar.

“Você programa um tempo no qual vai jejuar, e é aqui que seu corpo vai desintoxicar e descansar: quando ele se abstém de calorias. Mas tudo bem consumir bebidas não calóricas, como água, café e chá sem açúcar ou adoçante”, explica o Dr. Wesley Schunk, médico autoridade no assunto.

O segredo é comer os itens certos enquanto se estiver na chamada janela de alimentação, que é o período em que se come. 

A hora de quebrar o jejum também é importante — por isso, é preciso saber o que comer na primeira refeição.

Se feito do jeito certo, o jejum intermitente não apenas reduz significativamente o risco de doenças do coração, mas também traz outros benefícios, como:

  • Ajuda a emagrecer de vez sem fazer dietas mirabolantes;
  • estimula a renovação das células;
  • reduz o risco de doenças degenerativas, como Parkinson, Alzheimer e câncer;
  • pode ser arma para prevenir e tratar diabetes tipo 2;
  • reduz a pressão alta, o triglicérides e colesterol;
  • combate a inflamação crônica.

“Quando comecei a aplicar estes conhecimentos nos meus pacientes, percebi imediatamente que eles estavam com uma saúde mais robusta, estavam perdendo peso e, aos poucos, se livrando dos sintomas — e em alguns casos até mesmo revertendo suas doenças”, conta o médico.

Assim como fez com seus pacientes, o Dr. Wesley Schunk e sua parceira, a médica Dra. Carla Muriel, também podem te ajudar a usar o jejum intermitente como a arma definitiva contra doenças do coração, obesidade e tantas outras. 

Basta dizer sim para seu convite e iniciar essa jornada em busca de um coração robusto e um corpo mais saudável.

Referências

“SÍNDROME METABÓLICA”. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
Jordan, Stefan et al. “Dietary Intake Regulates the Circulating Inflammatory Monocyte Pool.” Cell vol. 178,5 (2019): 1102-1114.e17. doi:10.1016/j.cell.2019.07.050
New, Sophie E P, and Elena Aikawa. “Molecular imaging insights into early inflammatory stages of arterial and aortic valve calcification.” Circulation research vol. 108,11 (2011): 1381-91. doi:10.1161/CIRCRESAHA.110.234146
Mattson, Mark P et al. “Impact of intermittent fasting on health and disease processes.” Ageing research reviews vol. 39 (2017): 46-58. doi:10.1016/j.arr.2016.10.005;
Zubrzycki, A et al. “The role of low-calorie diets and intermittent fasting in the treatment of obesity and type-2 diabetes.” Journal of physiology and pharmacology : an official journal of the Polish Physiological Society vol. 69,5 (2018): 10.26402/jpp.2018.5.02. doi:10.26402/jpp.2018.5.02

Ana Araujo
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