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‘Muito mais que uma prescritora, eu sou uma educadora’

calendar Publicação: 02/12/2021 - Última atualização: 02/03/2022
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Após enfrentar uma grave doença aos seis anos, a Dra. Denise de Carvalho decidiu que também queria ser uma heroína igual aos médicos que cuidaram dela na época; hoje talvez não acredite mais no imaginário do mundo dos heróis, mas ela se tornou uma cirurgiã e referência em saúde feminina, digestiva e integrativa

Com apenas seis anos de idade, a pequena Denise, nascida em Salvador, decidiu que queria ser médica quando crescesse. A escolha não partiu de uma referência familiar ou de uma inspiração de personagem da televisão: a garota com tão pouca idade optou pela medicina após passar por um problema delicado de saúde.

Hoje, aquela menina se transformou na Dra. Denise de Carvalho, médica cirurgiã e uma referência da medicina integrativa, da saúde digestiva e feminina. “Quando criança, eu tive uma doença chamada febre reumática. Foi grave, fiquei internada, desenvolvi várias complicações dessa doença, que é autoimune e ocasionada por uma bactéria na região da amigdala”, lembra.

O problema de saúde foi grave, ela passou um tempo de sua infância tendo muito contato com médicos das mais diversas especialidades: cardiologista, pediatra, nefrologista. “Na época me impressionou muito o sentimento de gratidão que meus pais tinham com esses médicos. Meus pais endeusavam eles por terem salvado a minha vida”, conta, explicando como decidiu virar médica já desde muito nova.

“Quando eu crescer, eu quero fazer isso também. Quero ser uma heroína como eles”, diz a Dra. Denise, remetendo ao que aquela criança de seis anos almejava em pensamentos. Filha de pai baiano e mãe sergipana, ela não teve referência médica familiar. A família é de origem simples e, na verdade, poucas pessoas conseguiram um diploma universitário.

Porém, estudiosa e aplicada que sempre foi, a Dra. Denise prestou vestibular para medicina em Campinas (SP), onde já morava com a família desde os cinco anos. Foi aprovada já na primeira tentativa, no ano de 1993. Anos se passaram, a médica se formou e foi morar na Espanha. “Eu acabei fazendo acompanhamento de um serviço de gastroenterologia lá em Barcelona e peguei gosto pelo sistema digestivo”, diz.

De volta ao Brasil, no ano 2000, ela fez residência em cirurgia geral e, posteriormente, aprofundou seus estudos na área de endoscopia digestiva, na Universidade de São Paulo (USP). A Dra. Denise passou os anos seguintes trabalhando com sistema digestivo até que no ano de 2011 conheceu a medicina funcional e mudou os rumos da sua atuação profissional.

O despertar da medicina integrativa

“Eu andava muito frustrada com a carreira médica, aquele meu ideal de ser uma heroína me frustrou porque eu ficava só prescrevendo remédio. Muitas vezes não conseguia nunca tirar os medicamentos dos pacientes. Eu virei uma mera prescritora”, relata. Até que nesta mesma época ela enfrentou um novo quadro de doença.

Desta vez, a médica teve uma síndrome ansiosa e ela mesma foi estudar o motivo do surgimento do problema. “Eu entendi que aquela doença que tive na infância tinha deixado algumas sequelas na minha microbiota devido ao uso de muitos antibióticos. Então, comecei a estudar microbiota porque, até então, eu não fazia ideia do que ela era capaz, tanto pro bem quanto pro mal. Fui estudando cada vez mais e vi que não tinha mais sentido voltar para a medicina tradicional”, afirma.

Como a medicina funcional começou a dar certo para ela, ela percebeu que mais gente precisava saber daquilo “e aí ficou de um tamanho que não cabia mais dentro de mim”.

A prática de uma nova medicina

O encantamento da Dra. Denise com a medicina funcional aconteceu porque ela notou que a prática resgata o antigo clínico geral, que cuidava do paciente como um todo. Esse tipo de atuação ajuda a entender as pessoas e seus históricos familiares como um todo, possibilitando, assim, prevenir uma série de enfermidades e trabalhar de maneira mais assertiva.

“Eu realmente mergulho na história de vida do paciente. Então, eu entendo mais como é a genética dele. A gente considera muitas coisas, desde antecedentes, questões físicas e emocionais, cirurgias, medicamentos que tomou. Assim, começo a conhecer como aquele indivíduo se comporta diante de situações variadas. A prática termina sendo muito mais efetiva. Mas isso também dá muito mais trabalho”, avalia a médica.

A cirurgiã descreve: quando um paciente entra em seu consultório, ela não trata apenas o intestino. Mas, sim, cuida de tudo e entende de maneira integrada todos os sistemas. “Quando uma pessoa se queixa de constipação, eu tenho que ver se ela não tem hipotireodismo, por exemplo. É um cuidado amplo e, logo, muito mais eficiente”, destaca.

“Quando uma pessoa se queixa de constipação, eu tenho que ver se ela não tem hipotireodismo, por exemplo. É um cuidado amplo e, logo, muito mais eficiente”, destaca.

A prática integrativa na vida pessoal

Há 10 anos atuando diariamente com a medicina funcional, a Dra. Denise acredita que levar esses hábitos para sua vida pessoal já é algo automático. Segundo ela, a priorização do sono, a prática de atividades físicas e não se expor a toxidades do dia a dia são coisas que ela já faz corriqueiramente.

No seu meio familiar, até chegou a haver certa resistência dos parentes para também adotar esse estilo de vida, “mas atualmente está bem mais fácil. Minha família pergunta minha opinião, o que eu recomendo. O trabalho do profissional de saúde deve ser de acolhimento e não de julgamento”.

A experiência da médica mostra que é muito importante manter a didática de bons hábitos da hora que acorda até a hora que dorme. Controlar o nível de estresse é outra dica valiosa da Dra. Denise, assim como combater fortemente possíveis ações inflamatórias ao organismo.

“O alimento é quem provê os pequenos nutrientes que vão ser usados como armas na guerra inflamatória. Se eu não tiver uma dieta adequada, eu vou ter aumento da inflamação. Com esse pensamento, há uma mudança de paradigma dentro da medicina: não há mais a relação de ‘um sintoma – um remédio’. Eu tenho que pensar em todo o contexto, por isso a medicina integrativa é importante. Eu sou muito mais que uma prescritora, eu sou uma educadora”, endossa.

A batalha contra inflamações

A Dra. Denise é uma defensora incansável da conscientização sobre a importância de desinflamar o organismo. Baseada nos estudos que se dedicou ao longo de sua carreira médica, ela afirma que o aumento de casos de doenças crônicas muito se dá devido às inflamações.

“Há 100 anos a expectativa de vida era muito menor. Algumas doenças não tinham muita incidência porque as pessoas não viviam tempo suficiente para desenvolvê-las. A gente tinha menos diabetes e hipertensão, por exemplo. Hoje em dia o que mais mata são essas doenças consideradas crônicas. Até o câncer faz parte desse diagnóstico”, cita.

De acordo com a médica, essas doenças se desenvolvem a partir de um processo inflamatório crônico e subclínico — porque não se traduzem a partir de um sintoma específico. A partir disso, a inflamação vai se alastrando e o corpo precisa encontrar medidas de controle.

“Se a gente consegue controlar essa inflamação e tem mecanismos anti-inflamatórios, já é muito significativo. A inflamação é a base dessas doenças todas”, garante a médica.

A ciência comprova

Uma pesquisa desenvolvida em 2015 na  University of South Carolina School of Medicine, nos Estados Unidos, comprova o que prega a Dra. Denise. O estudo contou com a participação de 13.280 pessoas entre 20 e 90 anos e ratificou a relação da inflamação crônica com o aumento do risco de câncer, doenças cardiovasculares e diabetes.

Essas pessoas foram acompanhadas por quatro anos e os pesquisadores avaliaram a qualidade da dieta, prática de exercícios físicos, tabagismo, ingestão de bebidas alcoólicas e saúde do sono. Entre essas pessoas, 2.681 desenvolveram pré-diabetes e 3.016 óbitos foram identificados ao longo do tempo de observação.

Um total de 676 pessoas foram vítimas de câncer, entre elas: 192 no pulmão e 176 no trato digestivo. Outras 1.328 morreram por doenças cardiovasculares. 

A conclusão do estudo indicou que uma dieta pró-inflamatória está associada a um risco aumentado de mortalidade por doenças cardíacas e câncer. Entre indivíduos pré-diabéticos, o câncer do trato digestivo foi o mais agressivo.

Referência:

  • Deng FE, Shivappa N, Tang Y, Mann JR, Hebert JR. Association between diet-related inflammation, all-cause, all-cancer, and cardiovascular disease mortality, with special focus on prediabetics: findings from NHANES III. Eur J Nutr. 2017 Apr;56(3):1085-1093. doi: 10.1007/s00394-016-1158-4. Epub 2016 Jan 29. PMID: 26825592.
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